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Em Pernambuco durante julgamento, vítima surpreende e diz que perdoa réu

Publicado dia 18/10/2018 às 07h52min
Ana Paula da Silva foi atingida por um tiro na boca disparado por Michel Charles Santos Bezerra

A Justiça decidiu interromper nesta quarta-feira (17) o julgamento de Michel Charles Santos Bezerra, acusado de uma tentativa de feminicídio no dia 3 de agosto deste ano. A audiência de instrução do caso, que aconteceria antes do julgamento, foi finalizada pela falta de três laudos do processo: traumatológico, da arma e da droga apreendida na casa do suspeito. Durante a audiência, a vítima, Ana Paula da Cunha Silva, chegou a pedir que ele fosse absolvido.

 

O crime aconteceu no bairro da Ilha Joana Bezerra, na área central do Recife. Ao acordar, Ana Paula foi atingida por um tiro na boca disparado por Michel, companheiro dela na época. Ele ainda disparou outras cinco vezes, mas não acertou a vítima. Após passar três dias desacordada e 16 dias internada, ela sobreviveu. Entretanto, na frente do juiz, Ana Paula pediu que Michel fosse considerado inocente, por entender que ele não teve intenção de matá-la e o disparo teria sido acidental.

A decisão chegou a revoltar a promotora Rosemary Souto Maior. Ela afirma que o depoimento de Ana Paula na audiência foi diferente da época em que o crime ocorreu. “Ela mudou completamente [o depoimento], não sei por qual motivo. Mas isso é muito comum em casos de violência doméstica contra a mulher. Mas a gente vai seguir nessa linha de defesa, através das provas dos autos e fazer justiça. Não está ao critério da vítima a punição do acusado. Quem ama não mata. Ninguém dá seis tiros por engano. Uma mulher não enxergar que foi vítima de uma tentativa de homicídio mostra que ela precisa de ajuda”, declarou.

O processo surpreendeu pela celeridade, já que a audiência de instrução do caso ocorreu no mesmo dia do julgamento, no 4º Tribunal do Júri da Capital, localizado no Fórum Thomaz de Aquino. O juiz Abner Apolinário disse atender um desejo da população por justiça. “A ideia é que tivéssemos um julgamento quase instantâneo, mas infelizmente isto nem sempre está ao meu alcance. Nesses processos que envolvem feminicídio, tentarei dar celeridade”, explicou.

Fonte: PE10