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Morte de torcedor atingido por vaso completa cinco anos

Publicado dia 03/05/2019 às 07h38min
Meia década depois de assassinato, familiares ainda se recuperam da perda, marcada por embates jurídicos

“Não viva para que a sua presença seja notada, mas para que a sua falta seja sentida”. Atribuída ao saudoso cantor e compositor jamaicano Bob Marley, essa era uma das frases preferidas do jovem Paulo Ricardo Gomes da Silva, morto no dia 2 de maio de 2014, aos 26 anos, vítima de um vaso sanitário arremessado das arquibancadas do estádio José do Rêgo Maciel. Um crime que chocou não apenas Pernambuco, mas o mundo inteiro, sendo noticiado nos principais sites e jornais Brasil afora. 

Cinco anos depois da tragédia, muita saudade e batalhas jurídicas, a Folha de Pernambuco visitou os familiares do torcedor para saber o que mudou neste período desde que a vida dele foi ceifada por Everton Felipe, Luiz Cabral e Waldir Firmo. O trio foi julgado e condenado pela Justiça em penas que inicialmente variavam de 22 a 28 anos de reclusão, mas que, em março deste ano, em nova decisão do TJPE, foram ampliadas, agora de 29 a 37 anos, também em regime fechado.

 

Fã de surfe, Paulo Ricardo tinha entre suas paixões o mar, a família e o Sport. No fatídico dia, esses três amores entraram no roteiro da sua despedida. De manhã, foi surfar. Depois voltou para casa e almoçou com o pai. À noite, foi convocado de última hora pelos amigos para assumir o lugar de um dos integrantes de uma organizada do Sport que acompanhariam Santa Cruz x Paraná, pela Série B 2014. Do computador em casa, acertou a sua ida para o estádio minutos antes do apito inicial. Saiu escondido do pai. 

"Ele sabia que eu reclamaria. Pegou a moto que eu nem vi", revelou José Paulo Gomes da Silva, emocionado ao lembrar do filho. "Hoje eu não tenho raiva mais, já tive muita. Hoje eu tenho saudade do meu filho e pena dos outros", comentou.

A pedido dos familiares, Joelma Valdevino, mãe de Paulo Ricardo, não concedeu entrevistas. Desde o falecimento do filho, Joelma desenvolveu um quadro profundo de depressão e teria tentando tirar a própria vida em três ocasiões. Tio de Paulo e irmão de Joelma, Tiago Valdevino era muito próximo do sobrinho e relembra o dia do crime. 

 


"Não chamo de acidente, ele foi assassinado. No dia eu custei a acreditar que era ele, até porque não era jogo do Sport. Mas aos poucos a ficha foi caindo com as ligações e as imagens na internet", comentou, revelando ter sido xingado por colegas dos condenados no dia do júri popular que condenou o trio. 

"Encostaram uns cinco, seis, dizendo que eu falava demais, que eu tivesse cuidado...", completou Tiago, que tem um sentimento diferente do pai de Paulo Ricardo. "Eu tenho raiva desde o começo. O mal que ele causou, não só ao meu sobrinho, como para toda a minha família é imperdoável", finalizou.

 

Os familiares de Paulo Ricardo também afirmam que nunca foram procurados por ninguém para que fosse prestada qualquer tipo de assistência. Em julho de 2016, no entanto, Santa Cruz e CBF foram condenados a pagar R$ 500 mil à mãe de Paulo Ricardo. Além desse valor, as instituições terão que pagar uma pensão de R$ 438,62 por 39 anos. É o tempo que Paulo Ricardo Gomes da Silva, que morreu aos 26 anos, completaria 65 anos de idade.

Fonte: FolhaPE